25 de setembro de 2026

Ato com baixa adesão popular em SP frustra trio bolsonarista de MS 

Mesmo convocada pelo ex-presidente, manifestação esvaziada na Paulista acende a luz de alerta na direita
De nada adiantaram os apelos de Jair Bolsonaro (PL) e do pastor  Silas Malafaia, que passaram as últimas semanas em suas redes sociais convocando apoiadores para um histórico e grandioso ato na Avenida Paulista. Porém, a grande manifestação pela anistia para os condenados e envolvidos na tentativa de golpe de 08 de janeiro, um perdão que beneficiaria o ex-presidente, acabou sendo um vexatório e até inesperado fracasso de adesão popular.
Três parlamentares bolsonaristas de Mato Grosso do Sul aderiram à convocação: a senadora Tereza Cristina (PL), o deputado estadual João Catan (Pl) e o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL). Não escaparam de sentir o amargo sabor do vexame e da decepção. Malafaia, um dos organizadores, Bolsonaro e personagens graduados na linha de frente da extrema-direita acreditavam e previam em centenas de milhares de apoiadores na Avenida Paulista.
Devem estar frustrados. Segundo fontes especializadas, o cálculo mais generoso estimou em quase 45 mil pessoas os que foram à principal via paulistana. A média de todos os cálculos não chega a 15 mil. Quando Bolsonaro discursou, não haviam mais de 12,4 mil pessoas na avenida, de acordo com a metodologia do Monitor do Debate Político do Cebrap, em parceria com a ONG More in Common, que usa imagens da multidão capturadas por drones.
A contagem foi feita no pico da manifestação, às 15h40, a partir de fotos aéreas e um software de Inteligência Artificial. Já o Monitor do Debate Público do Meio Digital da USP, que também recorre a imagens aéreas, cravou aproximadamente 44,8 mil apoiadores. No começo de abril, outra manifestação convocada pelo ex-presidente reuniu 44,9 mil pessoas no mesmo espaço urbano, segundo a mesma metodologia. Em fevereiro de 2024, outro ato com a presença do ex-presidente reuniu 185 mil pessoas na Paulista.
  ALERTA – Para os analistas mais acreditados, a diminuição no número de participantes pode indicar uma mudança no apoio popular em relação a algumas demandas do bolsonarismo e à postura de Bolsonaro durante sua inquirição pelo ministro Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), quando se acovardou e chegou a admitir parte das denúncias e até reconhecer que fez acusações sem provas. Mais uma preocupação incomoda a base bolsonarista: os ataques indiscriminados e sem calibragem a Moraes e ao STF.
Após o ato na Avenida Paulista, lideranças e dirigentes de partidos de direita e extrema-direita iniciaram entendimentos para avaliar a fraca adesão popular e repensar a estratégia para não permitir que desgastes e danos políticos mais significativos afetem a caminhada rumo às eleições de 2026.   O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, e o ex-governador Reinaldo Azambuja, ambos do PSDB, não compareceram, apesar de terem apoiado a candidatura de Bolsonaro à reeleição em 2022 e poropensos a ingressar em legendas bolsonaristas, compromissos que estão sendo cobrados agora pelo ex-presidente.

A Avenida Paulista e o ato que não atendeu à expectativa dos bolsonaristas Foto Eduardo Knapp/FolhaPress

Bolsonaro e Malafaia: ataques indiscriminados a Moraes e ao STF            Reprodução YouTube

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