24 de setembro de 2026

Audiência expõe abandono histórico e violência contra comunidade do Residencial Athenas II

 

Em uma audiência pública extraordinária na Câmara Municipal, veio à tona aquilo que o poder público insiste em ignorar há mais de duas décadas: a comunidade do Residencial Athenas II — apelidada de “Carandiru” — vive cercada por estigmas, repressão e ações violentas, muitas delas praticadas justamente por instituições que deveriam protegê-la.

Moradores relataram detalhes de abusos, perseguições e intimidações, incluindo intervenções policiais desproporcionais e a proibição velada de sua participação em conselhos comunitários e de segurança. Trata-se de uma população marcada por vulnerabilidade extrema — famílias com crianças doentes, idosos, mães solo — tratada como problema e não como cidadãos com direitos.

A iniciativa de romper esse ciclo de silêncio partiu da vereadora Luiza Ribeiro, presidente da Comissão Permanente de Políticas e Direitos das Mulheres, Cidadania e Direitos Humanos. Com sensibilidade e firmeza, Luiza convocou — pela primeira vez — uma audiência institucional com a presença dos moradores e das autoridades responsáveis pela situação. Conduziu o debate com equilíbrio, garantindo voz ampla à comunidade silenciada por anos.

Participaram representantes da Defensoria Pública, Emha, Guarda Civil Metropolitana, Águas Guariroba, Energisa e Conselho Tutelar, que expuseram desafios, lacunas e possibilidades de ação. A Defensoria lembrou que há uma reintegração de posse em curso e que a solução depende de vontade política — algo que historicamente faltou. Já a Emha apontou o reassentamento como alternativa mais viável, com previsão de cadastro das famílias na próxima visita técnica ao local.

Como encaminhamento, a audiência definiu uma visita conjunta de órgãos públicos ao Athenas II, para mapear demandas reais e construir propostas concretas que garantam dignidade, segurança e um futuro possível às famílias.

Ao final, Luiza Ribeiro foi direta:
“Essas famílias são tratadas como invasoras e criminalizadas. Hoje, trouxemos autoridades para ouvir e dialogar. A Câmara existe para dar voz ao povo, e cada morador daqui importa.”

A fala sintetiza o que a audiência revelou com clareza desconfortável: o que falta não é diagnóstico — é compromisso político para reparar anos de abandono e violência institucionalizada.

Valmirar Gomes

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