25 de setembro de 2026

Zeca defende expansão da indústria florestal, mas aponta preservação ambiental como causa maior

Em audiência pública realizada na quarta-feira, 11, por iniciativa da  Comissão de Desenvolvimento Agrário, Assuntos Indígenas e Quilombolas, por meio do deputado estadual Zeca do PT, a Assembleia Legislativa debateu a expansão das plantações de eucalipto e os impactos da cadeia da celulose na Costa Leste de Mato Grosso do Sul. A reunião   mobilizou pesquisadores universitários, lideranças políticas, membros do Ministério Público, interlocutores do setor produtivo e representantes de comunidades impactadas no Vale ds Celulose, na Costa Leste.
As conclusões serão entregues ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na próxima segunda-feira, 16, quando Zeca, presidente da Comissão, irá ao Distrito Federal. O plantio de eucalipto ocupa cerca de 2 milhões de hectares em Mato Grosso do Sul, um dos principais polos nacionais da produção florestal.
“O objetivo é abrir diálogo com os órgãos federais para avaliar as medidas relacionadas aos impactos ambientais”, disse Zeca. Ele defendeu que a monocultura do eucalipto seja analisada com maior rigor diante de relatos do comprometimento de nascentes, baías e cursos d’água, além de preocupações com o uso de defensivos nas áreas de plantio. Apesar das críticas, garantiu não ser contra o desenvolvimento econômico e lembrou que, quando governou o Estado (1999-2006), participou da articulação que levou a empresa International Paper a se instalar em Três Lagoas, marco inicial da indústria de celulose na região.
ILHAS DE ÁRVORES – Como alternativa para reduzir impactos ambientais, Zeca sugeriu ao representante do setor produtivo, Benedito Ramão, a criação de ilhas de árvores nativas e frutíferas nas áreas de eucalipto, que poderiam ser   refúgios ecológicos e oferecer alimento à fauna silvestre. O  promotor Luciano Loubet alertou que o avanço da silvicultura exige atenção do ponto de vista ambiental, já que desde 2007, o Governo do Estado dispensou o licenciamento para a expansão do plantio de florestas comerciais , assim como para qualquer exploração agropecuária (seja agricultura ou pecuária).
Subsecretário municipal de Meio Ambiente de Selvíria, Valcitinez Santiago referiu-se a imagens de satélite mostram que existem nascentes comprometidas pelo avanço do eucalipto em áreas locaizadas próximas a assentamentos rurais. Ele exibiu fotografias que indicariam três nascentes impactadas pela atividade, com a redução da área úmida e o avanço do plantio até áreas sensíveis. O pesquisador da área de climatologia, Mario Henrique, da Universidade Federal (UFMS), informou que há sinais de mudanças no regime de chuvas no Bolsão, sobretudo em Três Lagoas, onde o volume anual de precipitação passou a registrar menos de 1.100 milímetros em alguns períodos desde 2010.
USO DO SOLO – Outro desafio está no impacto da mudança no uso do solo sobre atividades tradicionais. Segundo Marine Dubos, professora de Geografia do campus de Três Lagoas (UFMS), a Suzano já investiu R$ 1 milhão na implantação de laticínio como medida compensatória pela instalação da indústria de celulose. No entanto, a unidade estaria funcionando com apenas cerca de 30% da capacidade, em razão da queda na produção leiteira local. A docente se mostrou convencida  de que indústrias do segmento de celulose como a Suzano, tem feito “muito mais marketing” que investimentos em medidas compensatórias.
O ex-prefeito de Ribas do Rio Pardo, João Alfredo, se manifestou apreensivo com a expansão da atividade no município. Segundo ele, cerca de 40% do território local já estão tomados por eucalipto. Em cinco anos, a área plantada saltou de 160 mil para 400 mil hectares. Também demonstrou preocupação com a situação ambiental do Rio Pardo, onde a Suzano faz a captação de água para uso industrial.
Benedito Mário Lázaro falou pelo setor produtivo e salientou que as empresas seguem critérios técnicos e ambientais e grande parte das áreas utilizadas para o plantio já estava degradada antes do início destas atividades. Segundo ele, a silvicultura trouxe investimentos, empregos e melhorias na infraestrutura regional. Afirmou que as empresas realizam manejo de solo e de recursos hídricos, mantêm estrutura de prevenção e combate a incêndios florestais e realizam a pulverização de defensivos dentro das normas e da legislação vigente.

Edson Moraes

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