41 Anos de Resistência: Grupo TEZ celebra trajetória com foco em comunidades quilombolas de MS
Em um marco de quatro décadas de atuação, o Grupo TEZ celebrou seus 41 anos neste mês de março, consolidando-se como um pilar fundamental na preservação da memória e cultura afro-brasileira, quilombola e do movimento Negro em Mato Grosso do Sul. O aniversário não foi apenas uma data festiva, mas um momento de reafirmação política e social da luta antirracista e da defesa dos territórios quilombolas.
Escuta Ativa e Reconhecimento Federal
A programação comemorativa contou com a presença estratégica de Allan Matos, coordenador do Departamento de Certificação das Comunidades Quilombolas da Fundação Cultural Palmares. Em uma agenda de escuta e diálogo, a comitiva visitou quatro das 22 comunidades certificadas em Mato Grosso do Sul:
Furnas do Dionísio
Tia Eva
Chácara Buriti
São João Batista
O encontro permitiu que lideranças locais apresentassem demandas diretas ao órgão federal — criado em 1988 e vinculado ao Ministério da Cultura — visando ajustes essenciais para a qualidade de vida coletiva e a segurança jurídica de seus territórios.
Memória, Baile Charme e Protagonismo Feminino
No dia 18 de março, data oficial do aniversário, o clima de celebração tomou conta com um encontro que uniu história e cultura. A abertura foi marcada por uma mesa composta exclusivamente por mulheres pioneiras do Grupo TEZ. Seus depoimentos resgataram as memórias das conquistas e os desafios enfrentados, evidenciando que a resistência negra no estado tem rosto e voz feminina.
Entre os legados celebrados, destacou-se o Cursinho Milton Santos. A iniciativa é um símbolo de mobilidade social e resistência intelectual, tendo aberto as portas do ensino superior para jovens negros e quilombolas, combatendo o ciclo de exclusão histórica.
Um Legado Vivo contra o Apagamento
Para o Grupo TEZ, completar 41 anos significa manter uma “história viva”. O grupo define sua trajetória como uma luta interseccional — antirracista e feminista — voltada para a proteção de grupos vulneráveis e o fortalecimento do sentimento de irmandade.
“É uma caminhada que representa família e união, valores transmitidos por gerações que resistem ao apagamento e seguem pulsantes em Mato Grosso do Sul.”
A celebração encerrou-se em clima de festa com um Baile Charme, reafirmando que a alegria também é uma ferramenta de resistência para o movimento negro sul-mato-grossense.
Valmirar Gomes


