Morte de Nelly Bacha sepulta uma das últimas e emblemáticas lideranças do histórico MDB
Nelly Elias Bacha poderia destacar-se nas profissões para as quais se habilitou, a Advocacia ou o Magistério. Mas não foi como professora ou advogada que ganhou o mais amplo reconhecimento da sociedade, e sim na política, caminho aberto por quem mais admirou e acompanhou em sua vida pública: o advogado, prefeito, deputado federal e governador Wilson Barbosa Martins, que a projetou no histórico MDB.
Natural de Corumbá, onde nasceu em 1º de janeiro de 1941, Nelly formou-se em Filosofia pela PUC/SP (Pontifícia Universidade Católica. Iniciou carreira no Magistério e entrou na luta sindical. Presidiu a ACP (Associação Campograndense de Professores), de 1971 a 1973. Como advogada, defendia sindicalistas gratuitamente, granjeando admiração e respeito. Assim, tornou-se emedebista na oposição à ditadura militar.
Corumbaense de nascimento, Nelly acumulou cinco mandatos de vereadora (1972-85). Em 1983, os prefeitos das capitais eram demitidos pelo regime militar e os seus substitutos nomeados pelo governador. O prefeito Heráclito de Figueiredo foi exonerado e o governador Wilson Martins a nomeou prefeita interina. Foi, por 67 dias, a primeira gestora feminina da cidade e ainda realizou obras, como um trecho de galerias pluviais na Avenida Euler de Azevedo e a sede do Movimento Brasileiro de Alfabetização (Mobral).
O enfraquecimento político-eleitoral do MDB arrastou consigo os militantes históricos e Nelly foi junto. Não se reelegeu em duas tentativas e saiu de cena, recolhendo-se a uma vida muito reservada. O seu nome voltou à baila de forma surpreendente e lamentável, quando foi acusada e condenada por crime de injúria racial cometida em um supermercado. Na quarta-feira, 08, aos 85 anos. Era uma das últimas remanescentes do bom e velho MDB dos anos 1970.
Edson Moraes

Nelly Bacha foi vereadora e prefeita de Campo Grande – Foto Denílson Nantes

