A Noite em que o Teatro Araci Balabanian Celebrou a Alma da Música Sul-Mato-Grossense
Há noites que não apenas entram para a agenda cultural de uma cidade, mas se fixam na memória coletiva como capítulos fundamentais de sua história artística. A última quinta-feira, 6 de agosto, reservou ao público que lotou o Teatro Araci Balabanian um desses momentos raros. No palco, Celito Espíndola, um dos maiores nomes da música de Mato Grosso do Sul, conduziu uma celebração vibrante e emocionante de sua trajetória e do cancioneiro urbano do estado.
O show foi concebido como uma grande homenagem ao álbum antológico lançado em 1996 pela gravadora Paradoxx Music, que consolidou o nome de Celito e reuniu canções de nove compositores que ajudaram a inventar a música urbana de nossa terra. Na prática, o espetáculo funcionou como um “Clube da Esquina” campograndense: Celito interpretou suas próprias canções e parcerias com nomes como Geraldo Espíndola, Geraldo Roca, Paulo Simões, Guilherme Rondon, Antonio Porto, Fernando Falcão, Jerry Espíndola e Ciro Pinheiro.
A Polca Blues Band, formada por Pedro Espíndola (guitarra, violão e voz), João Bosco (bateria), Zé Vital (teclado), Juninho MPB (contrabaixo) e Janison Barbosa (sanfona), deu ao repertório uma roupagem ao mesmo tempo roqueira e delicada, realçando a força das composições e a identidade sonora de Mato Grosso do Sul.
O encontro musical foi ampliado pela presença de convidados especiais que tornaram a noite ainda mais emblemática: Geraldo Espíndola, Paulo Simões, Guilherme Rondon, Gilson Espíndola, Jerry Espíndola, Carlos Colman, Gabriel de Andrade, Gleison Ferreira e Rodrigo Teixeira. Cada um deles entrou em cena não apenas como músico, mas como parte da história que Celito ajudou a construir nas últimas décadas.
Entre os destaques do repertório, canções consagradas como “Pelo Rádio”, “Espelho Deslizante”, “Colisão”, “Deixei Meu Matão”, “Madre Canaã”, “Abril”, “Uma Pra Estrada”, “Minha Flor”, “Dar uma Chance a Paz”, “Gata Vadia”, “Labaredas”, “Indiazinha”, “Pra Te Embelezar”, “Canções Simplesmente Canções”, “Blues And Soul” e “Leões Velhos”, além de releituras de “Father and Son” (Cat Stevens) e “Honk Tonk Woman” (Rolling Stones), mostraram a versatilidade e o alcance de Celito, que navega com naturalidade entre o regional e o universal.
A produção do espetáculo ficou a cargo de Rogéria, gestora de serviços organizacionais e idealizadora do Projeto Música em Casa, realizado junto ao professor e escritor Rossine Benício Rodrigues. O projeto, que leva a arte feita em Campo Grande para o quintal da casa de Rogéria e Rossine, tem se tornado ponto de encontro entre autores e público, além de suporte fundamental para artistas que batalham para dar relevância à música do estado.
A noite confirmou que Celito Espíndola não é apenas um músico, mas um patrimônio vivo de Mato Grosso do Sul. E o espetáculo, mais do que um show, foi uma celebração da vida, da cultura e da resistência da música sul-mato-grossense, com a certeza de que o palco do Araci Balabanian guardará, por muito tempo, a memória dessa grande reunião de talentos.
Valmirar Gomes


