9 de outubro de 2026

Toro Candil

Documentários de Mara Silvestre no programa
de Feira Bioceânica de Livros, no Paraguai
As riquezas culturais mantidas pelos povos da Rota Bioceânica (via Brasil, Paraguai, Argentina e Chile) são preservadas a duras penas e com singulares demonstrações de apego e respeito às identidades de cada lugar. O folclore, as tradições e costumes, produzidos por manifestações de ambientes devocionais, laborais, familiares, de entretenimento e até de conflitos, revelam a incrível diversidade e a notável capacidade criativa das gentes alinhadas ao longo desse corredor de integração continental.
Estas realidades, únicas, estão sendo resgatadas, conservadas e valorizadas por iniciativas apaixonadas pela cultura latino-americana, como no caso da cineasta porto-murtinhense Mara Silvestre. Ela enfiou numa bagagem de coragem, conceito e compromisso histórico a ideia de retratar, resgatando, a saga do Toro Candil. Não tem sido fáci. Todavia, a documentarista, pesquisadora, roteirista e produtora visual conseguiu a façanha de dar a uma festa de origem religiosa o pleno alcance popular, ao contar esta instigante história em uma série de curta-metragens.
“Os Mascaritas” e “Pelota Tatá”, documentários que compõem a trilogia do Toro Candil – obra cuja propriedade jurídica e intelectual é de Mara Silvestre – estão incluídos no programa da Feira Bioceânica de Libros – Chaco, marcada para 30 e 31 de outubro e 1º de novembro, em Carmelo Peralta, no Paraguai. A cidade é fronteiriça com Porto Murtinho e ambas escrevem, com um festival de rua, uma história que nasceu na Espanha, a terra das touradas, e chegou à fronteira Brasil-Paraguai para ganhar nova indumentária motivacional, sem apologia à violência.
Mascaritas e a pelota tatá são personagens e brincadeiras lúdicas que fazem das máscaras e das bolas (pelotas) de fogo peças coloridas de uma divertida engrenagem teatral. O festival é assim, movimentado pelas devoções cristãs – simbolizadas no culto à Virgem de Caacupê – e laços de uma democrática e inventiva reverência à amizade entre os povos e à natureza, focalizada na impoência do Rio Paraguai, o corredor fluvial da prociessão de Nossa Senhora.
CONEXÃO CULTURAL – Segundo Mara Silvestre, a Feria Bioceánica de Libros [grafia em espanhol, a língua dominante na região latina] não é apenas uma feira literária. “Trata-se de um encontro cultural binacional e regional, que conecta Brasil, Paraguai, Argentina e Chile por meio da cultura e da literatura, e espelha os laços de integração da Rota Bioceânica”, diz. “O evento em Carmelo Peralta é simbólico, por tratar-se de uma área de união entre os oceanos Atlântico e Pacífico através da Rota”, acrescenta a cineasta.
A presença de obras audiovisuais – como os documentários de Mara, chancelados por sua plataforma, a ÁguaComTV – amplia o diálogo entre literatura, tradição oral e expressão visual, transformando a feira em um espaço interdisciplinar de cultura bioceânica. Mara enfatiza também que os documentários retratam uma das manifestações culturais mais vivas e identitárias do Chaco e da fronteira.
Ela se refere às celebrações populares da “Pelota Tata” (Bola de Fogo) e “Los Mascaritas”, nas quais as comunidades se reúnem em torno de performances com máscaras, fogo e música tradicional. Durante a feira, o documentário pode ser exibido como parte das atividades culturais paralelas: rodas de conversa, debates sobre cultura viva, cinema e identidade bioceânica.

 Edson Moraes

Mara Silvestre: documentários de resgate na Rota Bioceânica

Los Mascaritas, personagens da saga do Toro Candil Foto Leandro Benites

Pelota Tatá: brincadeira de identidade folclórica na fronteira Foto Leandro Benites

Cartaz da Feira Biooceânica de Livros-Chaco 2025

 

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