Em encontro nacional, PT se solidariza com o povo palestino
Lideranças do partido renovam apoio a moradores de Gaza, mas também repudiam o antisemitismo
A abertura do 17º Encontro Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) na sexta-feira, 1º, em Brasília, foi assinalada por manifestações em favor da independência e do reconhecimento internacional do Estado da Palestina, com vigorosa condenação aos ataques sanguinários contra a faixa de Gaza, liderados pelo primeiro-ministro israelense, Benjamim Netanyahu. Os discursos das lideranças petistas se solidarizaram ao povo palestino, mas tiveram a preocupação de deixar claro também que o partido repudia o antisemitismo e qualquer forma de xenofobia.
Embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, foi aplaudido calorosamente pelos militantes. O senador Humberto Costa, presidente nacional do PT, condenou os ataques de Israel contra a Faixa de Gaza, ressaltando a perda de vidas inocentes na região. Ele destacou a tragédia enfrentada por crianças e civis: “Não é possível virar os olhos às mortes de crianças em Gaza, pelos bombardeios de Israel há mais de 20 meses, e agora pela fome e doenças produzidas pelo bloqueio israelense”, frisou.
Costa chamou a atenção para o fato de que um terço dos 55 mil palestinos mortos em Gaza e na Cisjordânia são crianças, reproduzindo um apelo por uma tomada de posição mais firme por parte do governo brasileiro. Essa retórica reflete a intenção de alguns setores dentro do partido de pressionar por sanções ao governo israelense, incluindo a suspensão da venda de armas ao país.
GRATIDÃO – O embaixador Ibrahim Alzeben expressou sua gratidão pelo respaldo do PT, reconhecendo o papel de Lula como um importante líder na defesa da criação de um Estado palestino. Alzeben lembrou que a solidariedade do partido remonta à sua fundação, afirmando: “Vocês são solidários desde o início da fundação desse partido […] Agradeço de todo coração essa manifestação.”
A presença da bandeira palestina, simbolizada por pulseiras com as cores da Palestina que alguns militantes ostentavam, demonstrou um forte sentimento de união e luta pela justiça. O auditório do Brasil 21, onde o evento foi realizado, se encheu de mensagens de apoio a uma causa que, para muitos, representa não apenas uma questão internacional, mas uma luta por direitos humanos e dignidade.
POSTURA FIRME – Dentro do Partido dos Trabalhadores, vozes têm se levantado para pedir que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tome uma postura mais firme em relação à situação na Faixa de Gaza. A pressão por sanções ao governo de Israel vem aumentando, refletindo um desejo de alinhar as ações do governo brasileiro com os princípios de solidariedade e defesa de direitos humanos que o PT sempre proclamou.
As declarações feitas durante o encontro nacional do PT trazem à tona um debate que vai além da política interna brasileira, envolvendo questões de justiça internacional e a importância do Brasil como ator na diplomacia global. A defesa do povo palestino se alinha a uma trajetória histórica do partido, que tradicionalmente tem levantado bandeiras de solidariedade a comunidades oprimidas ao redor do mundo.
A posição do Brasil sob a liderança de Lula já foi marcada por uma defesa acentuada de políticas de apoio a nações que enfrentam conflitos e violências. A participação do embaixador Ibrahim Alzeben na abertura do 17º Encontro Nacional do PT é um claro indicativo de que o governo brasileiro pode assumir uma postura ainda mais ativa em discussões internacionais a respeito da Palestina.
Edson Moraes

Embaixador da Palestina agradece à solidariedade dos brasileiros ao seu povo – Foto Ricardo Stuckert

A abertura do Encontro Nacional do PT, em Brasília, sexta-feira – Foto Ricardo Stuckert
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