25 de setembro de 2026

Movimento popular e empenho governamental reforçam a luta pela reativação da ferrovia 

A volta do Trem do Pantanal – carimbo afetivo dado à ferrovia Noroeste do Brasil (NOB) – é um apelo que transcende as planícies da nostalgia e do romantismo. Esta estrada de ferro firmou-se no imaginário popular como um marco perene do processo civilizatório e da construção de afetos que unem regiões brasileiras de São Paulo, Mato Grosso do Sul e grandes porções territoriais da Bolívia. O fator romântico é legitimador da história de quem abriu este caminho por trilhos tão importantes para a a aproximação e as trocas sociais entre pessoas como nos movimentos de exportaçõ e importação que vitaminam as economias.
  A reativação da Malha Oeste – uma ferrovia de 1.973 km, sendo 1.306 km de Corumbá (MS) a Mairinque (SP) e 319 km de Mairinque e Bauru (SP) – é um dos maiores objetivos estratégicos para a economia brasileira e, em especial, sul-mato-grossense. Com estas palavras o titular da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, definiu a razão que leva o  governo de Eduardo Riedel (PP) a levar adiante esta pauta entre suas prioridades.
“É um projeto prioritário. O Governo do Estado tem trabalhado junto ao Governo Federal para que seja providenciada uma relicitação imediata, já que não se tem uma autorização para a repactuação com a concessionária Rumo, que controlava a ferrovia”, informou Verruck. Na tarde de terça-feira, 27, ele se reuniu com membros de 42 entidades, entre elas o Comitê Permanente pela Revitalização da Ferrovia e a Reativação do Trem do Pantanal, do Cerrado, do Ferrobus e Expresso del Oriente.
RELICITAÇÃO – Um trecho da Malha Oeste é o ramal de Bauru a Corumbá. Em território sul-mato-grossense, os vagões da extinta NOB (Noroeste do Brasil) percorrem cerca de 800 km entre Corumbá e Três Lagoas e 355 km no ramal de Campo Grande a Ponta Porã. Para ser reativado, precisa  de relicitação com novo modelo do leilão. Isto impõe investimentos de monta na revitalização da infraestrutura.
A NOB era vinculada à Rede Ferroviária Federal (RFFSA), estatal privatizada no final dos anos 1990. Privatizada, passou por concessões que desativaram o transporte de passageiros para ficar apenas com as cargas, mas não souberam administrá-la. Em maio passado, o Tribunal de Contas da União (TCU) não aprovou a renovação do contrato com a antiga concessionária, determinando a necessidade de um novo leilão público. Trem da Morte, Transcontinental e Transoceânica são epítetos que estão colados na mística e na projeção integracionista da ferrovia na América do Sul.
PROTAGONISMO – É saudável e estimulante saber e ver que o governo estadual e o governo federal querem resgatar o poder social e econômico do ferroviarismo, como frisou Verruck. Contudo, a base de impulsão para este movimento é a presença reivindicatória e organizada da sociedade civil, objetiva, democrática, participativa e, sobretudo, sem abrir espaços para o aventureirismo oportunista ou a politicagem barata.
Que se faça política, sim. Contudo, que seja propositiva, despida de cores ideológicas ou partidárias, capacitada para levar o movimento adiante, legitimar suas propostas e capacitando-o com credibilidade para dialogar amplamente e cumprir todas as fases necessárias ao seu avanço. O movimento não tem presidente ou líder que centralize as interlocuções ou decisões. É um colegiado que se mobiliza com a dinâmica própria dos coletivos, garantindo-se por dedicações individuais que se somam, como bem definou um de seus organizadores, Anísio Guilherme da Fonseca, um indígena do povo Guató, professor e maquinista aposentado da NOB.
Na reunião com Verruck, além do professor Anísio Guató estavam Moacir Lacrrda, do Instituto Histórico e Geográfico (IGMS); Delasnieve Dáspet, da Academia Feminina de Letras e Artes de MS; engenheiros Jary Castro, Fayez Feiz Rizk, Diogo Rodrigues; Valdemir Vieira, da Afapip (Associação dos Ferroviários Aposentados); Manoel Vitório, ex-deputado federal e ferroviário aposentado; e o jornalista e escritor Edson Moraes, filho de ferroviário que trabalhou na construção da Estrada de Ferro Brasil-Bolívia.
Edson Moraes
Valmirar Gomes
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