25 de setembro de 2026

O empoderamento na forja de uma vencedora de obstáculos

Atleta sul-mato-grossense já venceu a neve, dois infartos na Covid-19 e o “inferno” de 50 graus no deserto do Saara
  Única brasileira a disputar a temerária Marathon des Sables 2025, ou Maratona das Areias, disputada desde 1986 no Marrocos e considerada a segunda prova pedestre de resistência mais difícil do mundo, Josy Madruga acaba de cravar mais um feito na sua galeria de conquistas impressionantes. Na semana passada, ela encarou seis dias de temperaturas extremas, que chegam a 50º, dunas, pedras, areia fofa e funda para fazer a épica travessia do deserto do Saara.
Com três modalidades, em provas que chegam a 230 km, a Maratona das Areias não é para qualquer vontade. É preciso, entre outras condições, ter resistência física e mental, técnica apurada, paciência e um adequado preparo orgânico. Josy tem tudo isso e muito mais: é uma sobrevivente na acepção da palavra. Hoje, com 47 anos, acumula diversas experiências de enfrentamento pessoal e de saúde, inclusive o de reviver.
Sim, isto mesmo. Ela reviveu há quatro anos, quando foi infectada pela Covid-19, teve duas paradas cardíacas e voltou a respirar. E o mais surpreendente é que esta mulher de quase 50 anos, que cruzou o medonho Saara e derrubou barreiras de neve, rochas e intempéries e preconceitos, só começou a praticar o esporte aos 39 anos, por brincadeira, a convite de uma amiga, infelizmente já falecida. Depois que incorporou o hábito como atividade esportiva regular, Josy passou a participar de competições.
NO CIRCUITO DE ELITE – À medida que os prêmios e as boas classificações aconteciam, ingressou nos circuitos de elite dentro e fora do Brasil. Entre as provas que disputou estão o GP Extreme Triathlon (Florianópolis/SC); Meia Maratona de Florianópolis; Mountain Do (21 km e 42 km – Ushuaia/Argentina); 63 km da Selva Amazônica (Manaus); 80 km de Ultra Suíça (Suíça, Itália, França); 50 km do Canadá; e 100 km de El Cruce (Patagônia/Argentina) – fora os desafios em cidades como Boston, Chicago, Pequim e Tóquio.
Na “vida normal”, Josy é empresária (dona da Estância Boneca de Luxo) e titular da Secretaria de Turismo, Esporte e Cultura de Rio Verde (MS). Ao regressar do Marrocos com a medalha triunfal de quem superou os 250 km do Saara, ela curtiu um feliz reencontro com o marido, filhas e pais e fãs, torcedores da primeira fila. Lembrou, emocionada, da luta contra a Covid:
– Houve momentos em que minha recuperação parecia impossível. E foi ali que aprendi o verdadeiro significado da resiliência. Cada obstáculo, desde esse até as dificuldades de conciliar treinos intensos com minha vida profissional e pessoal, me fortaleceu. Hoje, olho para trás e vejo que todas essas provações me prepararam para essa aventura no deserto. Se sobrevivi àqueles momentos, sei que posso superar qualquer desafio.
DE OUTRO PLANETA – Em seguida, ressaltou sua felicidade de cruzar a linha de chegada e, enfim, refrescar a boca com um refrigerante: “Depois de 82 km no deserto mais tenso do mundo, onde o calor queima, o silêncio grita, a solidão pesa e a mente desafia, ganhar uma Coca parece um prêmio de outro planeta.
A Maratona des Sables não é só uma prova, é um mergulho profundo dentro de nós mesmos. Ansiedade, medo, dor, dúvidas…Mas nunca desistência. Foi frio na barriga, areia nos olhos e fogo nas pernas. Foi alma exposta, coração pulsando forte, e uma certeza: eu sou muito mais do que imaginei ser”.
E concluiu: “Depois de cruzar desertos, vencer o calor escaldante, a exaustão e os próprios limites, voltei pra casa. E fui recebida da forma mais linda que alguém poderia sonhar: com minha família, amigos e amores me esperando de braços abertos. Essa medalha não é só minha — ela é de cada um que acreditou, que orou, que vibrou comigo em cada passo. Foi um sonho realizado…mas eu não voltei de mãos vazias. Voltei com novos sonhos, novos projetos, e a certeza de que a jornada continua”.
                              
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