9 de outubro de 2026

Notícias falsas podem fazer Nikolas Ferreira perder o mandato

Escândalo Mineiro
Ministério Público de Minas Gerais pede a suspensão de direitos políticos do deputado e outros políticos
O Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais (MPE-MG) pediu a suspensão dos direitos políticos dos deputados mineiros Nikolas Ferreira e Bruno Engler, ambos do PL, por ataques difamatórios contra o já falecido ex-prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD-MG), nas eleições de 2024. De acordo com o MPE, os parlamentares divulgaram informações falsas com o objetivo de prejudicar a candidatura de Noman e favorecer Engler no segundo turno.
Além da perda dos direitos políticos, o MP pede que os acusados paguem uma indenização por danos morais à família do ex-prefeito, que morreu em março passado, aos 77 anos. Segundo o órgão, a campanha de Engler usou de forma distorcida um trecho do livro “Cobiça”, escrito por Noman, para acusá-lo falsamente de apologia à pedofilia. Uma atividade cultural da prefeitura ligada à cena de quadrinhos, associada de maneira caluniosa à exposição de crianças a conteúdo impróprio, também foi alvo de ataques.
QUATRO DENUNCIADOS – Outros filiados ao PL, o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, também foram denunciados: Cláudia Araújo Romualdo, conhecida como Coronel Cláudia, que foi candidata a vice-prefeita na chapa de Engler e é presidente do PL Mulher Belo Horizonte, e a deputada Sheila Aparecida Pedrosa, conhecida como Delegada Sheila. As investigações descobriram que milhões de reais foram injetados para disseminar nas redes sociais as mentiras propagadas por Nikolas.
Confira, a seguir, a lista dos quatro acusados com as respectivas acusações do MP:
1) Bruno Engler: articulou a campanha de desinformação contra Fuad, usou trechos do livro Cobiça de forma distorcida para associar o ex-prefeito a crimes, e levou o livro a um debate na TV para acusá-lo de escrever uma obra “erótica e pornográfica”;
2) Nikolas Ferreira: teve participação central na disseminação das fake news, usando suas redes sociais para publicar conteúdos falsos e ofensivos; também descumpriu ordem judicial para remover essas publicações;
3) Coronel Cláudia: compartilhou as acusações falsas durante a campanha, inclusive em conteúdo veiculado na TV, quando afirmou que o conteúdo do livro era “muito pesado” para ser lido em voz alta;
4) Delegada Sheila: também compartilhou desinformação sobre o livro de Fuad Noman, ajudando a espalhar as peças de campanha difamatórias.
Na campanha, a Justiça Eleitoral considerou o conteúdo calunioso e determinou a suspensão da propaganda, além de conceder direito de resposta ao candidato do PSD. Na decisão, de outubro de 2024, o juiz Adriano Zocche frisou que Engler disseminou uma grave desinformação ao sugerir que a obra fazia apologia à pedofilia. Ele também ampliou o tempo de resposta de Noman na propaganda eleitoral gratuita como forma de compensação pelos ataques.
(legenda) Engler, Cláudia e Nikolas na campanha de 2024, em Belo Horizonte   Foto Lucas Mendes
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