PT-MS elege Vander e Kemp, com a presença maciça de militantes
Dirigentes preparam terreno para 2026 e avançam conversações com Fábio Trad e simone Tebet esta semana
Com um número de votantes 38% maior que o registrado no PED (Processo de Eleições Diretas) anterior, o PT de Mato Grosso do Sul elegeu no domingo, 06, o deputado federal Vander Loubet para presidir o Diretório Regional. Ele teve 762 votos (82,4%) e venceu o ex-prefeito de Mundo Novo, Humberto Amaducci, votado por 162 filiados (17,5%).
Já em Campo Grande, o deputado estadual Pedro Kemp foi o escolhido para a presidência do Diretório Municipal, com 675 votos (75,5%), contra 219 da professora Elaine Becker, que fez 219 (24,5%). Loubet e Kemp, que lideram correntes distintas no partido, mas fizeram uma aliança para esta disputa, frisaram que o PT saiu unido da eleição.
Agora, segundo declarações de ambos, uma das prioridades para as novas gestões será organizar e reestruturar o partido, já focalizando o ano eleitoral de 2026. Loubet e Kemp entendem que esta reestruturação será efetivada sem prejuízo das conversas visando à construção de uma frente progressista para fortalecer a defesa da democracia e barrar o avanço das forças de extrema-direita.
CONVERSAÇÕES – Após o anúncio dos resultados e ainda na sede da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Loubet disse que retomaria hoje (terça-feira) as conversas com o advogado, assessor do Ministério do Turismo e ex-deputado federal Fábio Trad, que desfiliou-se do PSD. “Nós já vínhamos conversando, o PT está de portas abertas para ele. Vou reforçar o convite agora”, contou. O deputado confirmou que logo vai falar também com a ministra do Planejamento, Simone Tebet:
“Ela ainda não definiu se fica no MDB ou muda de partido para continuar à vontade na base governista. Mas, assim como Fábio Trad, é uma liderança forte e credenciada na linha de frente pela democracia e a reeleição de Lula”, analisou Loubet. Para avançar estas articulações, ele admite retirar sua pré-candidatura ao Senado, para buscar o seu sétimo mandato na Câmara dos Deputados e abrir caminho para Fábio e Simone nas disputas majoritárias.
Kemp endossou estas avaliações e disse que o PED revitalizou a saúde orgânica e política do partido. “Não foi uma vitória de um ou de outro candidato. O vitorioso foi o PT”, considerou. “Os mais de 900 votantes, 38% a mais que no último PED, o ambiente de unidade e de motivação da nossa militância, a volta de muitos companheiros que estavam ausentes, tudo isto trouxe a renovada certeza de que estamos prontos para fazer o enfrentamento político e eleitoral necessário em defesa da democracia”, acentuou.
CONTRA O FASCISMO – No entanto, Loubet e Kemp entendem que o PED não é mais uma questão exclusiva dos interesses orgânicos e internos do partido, mas um suporte estratégico para fortalecer e compor com as forças de vanguarda na luta contra o avanço do fascismo. Ambos sabem ser necessário unir e atrair outros partidos para a federação de esquerda, que hoje tem PT, PV e PcdoB. Mas ressalvam que a busca maior e mais importante é ampliar o campo democrático, incorporando forças como o PDT e PSB, entre outras agremiações.
Loubet definiu inicialmente três pontos de partida de sua gestão na presidência do Diretório Regional. O primeiro será reorganizar o PT, saber onde estão os filiados, quais os que se afastaram, suas expectativas. Outra prioridade: formação política, social e programática da militância, potencializando o partido para fazer a interlocução política e social, revigorando-o na identificação com os movimentos sociais. E o grande desafio da comunicação:
“Não podemos, nem o PT, nem o governo do presidente Lula, continuar perdendo para a mentira, ficar acuados por fake news, todo o tempo se defendendo aqui, desmentindo ali. Temos muito a mostrar ao País em ganhos sociais e humanistas concretos, com programas que o mundo aplaude e só aqui não tem a reverberação popular merecida”, conclui Loubet.
Edson Moraes


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