Mães atípicas expõem abandono e cobram políticas públicas efetivas
Um encontro realizado na última quarta-feira (23), na sede da Fetems, deu voz a mães atípicas que enfrentam diariamente as dificuldades de cuidar de filhos com autismo e outras condições que exigem acompanhamento especializado. Com a presença do candidato Fábio Trad, da deputada federal, Camila Jara e da vereadora Luiza Ribeiro, a reunião foi marcada por relatos emocionados — alguns feitos entre lágrimas — e por uma cobrança direta ao poder público.
As mães denunciaram a falta de atenção, estrutura e continuidade no atendimento. Mais do que acolhimento momentâneo, elas reivindicam acesso regular a diagnóstico, terapias, medicamentos e profissionais especializados e também da falta de medicamentos que em Campo Grande está um caos. A emoção dos depoimentos revelou uma realidade que não pode ser tratada como caso isolado nem reduzida a promessas de campanha: são famílias sobrecarregadas e crianças que dependem de uma rede pública eficiente para desenvolver autonomia e qualidade de vida.
Atendimento multiprofissional é indispensável
Fábio Trad, Camila e Luiza Ribeiro enumeraram entre as necessidades apresentadas está a criação ou ampliação de equipes multiprofissionais, com médicos, psicólogos ou psicoterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, enfermeiros e fisioterapeutas. O trabalho integrado favorece o desenvolvimento da comunicação, da linguagem verbal e não verbal, da coordenação motora, da interação social e de outras habilidades essenciais.
O acompanhamento psicoterapêutico também pode contribuir para o desenvolvimento da comunicação e do comportamento social. Em determinados casos, a intervenção medicamentosa é necessária, mas deve ser prescrita exclusivamente por médico habilitado, após avaliação clínica individualizada.
Não basta ouvir: é preciso agir
O encontro foi importante por permitir que as mães fossem ouvidas, mas a principal cobrança permanece: transformar os relatos em ações concretas. A falta de atendimento adequado transfere às famílias uma responsabilidade que deveria ser compartilhada pelo Estado, além de aprofundar desigualdades entre quem pode pagar terapias particulares e quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde.
A mobilização das mães atípicas expõe uma falha persistente das políticas públicas: o discurso sobre inclusão avançou, mas o atendimento ainda não acompanha as necessidades reais. Cabe aos gestores e candidatos apresentar metas, prazos, orçamento e mecanismos de fiscalização. Sem isso, reuniões emocionantes correm o risco de terminar apenas em aplausos e promessas.
O encontro na Fetems deixou uma mensagem clara: mães atípicas não pedem privilégios. Exigem direitos, respeito e uma rede pública capaz de garantir cuidado contínuo e digno aos seus filhos.
Valmirar Gomes



