14 de julho de 2026

10ª Conferência Municipal de Saúde Mobiliza Lideranças e Debate o Futuro do SUS em Campo Grande

A 10ª Conferência Municipal de Saúde de Campo Grande reuniu gestores, trabalhadores do setor e representantes da comunidade para debater melhorias e o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) na capital. O evento teve como marca a participação ativa de lideranças regionais e trouxe à tona debates cruciais sobre o financiamento e as prioridades da saúde pública para o próximo quadriênio.

Diálogo, Respeito e Avanço Democrático

De acordo com Jader, presidente do Conselho Municipal de Saúde, a conferência cumpriu com sucesso os seus objetivos. Ele destacou o clima de respeito que pautou as discussões desde o primeiro dia, com a leitura e debate dos eixos iniciais.

“As discussões ocorreram de forma saudável, com opiniões divergentes, mas sempre com respeito. Isso demonstra a maturidade do processo e o compromisso de todos com o fortalecimento do SUS”, avaliou o presidente.

A etapa final do encontro foi consolidada com a aprovação das propostas prioritárias e a eleição dos delegados que representarão o município na etapa estadual.

Impacto Direto nos Bairros

O gerente da Unidade de Saúde da Família (USF) da Vila Carvalho, Thiago, acompanhou de perto as deliberações e enfatizou que o evento é um elo fundamental entre as necessidades da ponta do atendimento e o planejamento macro do município.

“A conferência foi muito produtiva para todas as unidades e para o fortalecimento da saúde em Campo Grande. Concluímos uma fase importante de debates, mas o cronograma continua. Os próximos passos certamente trarão grandes avanços”, pontuou Thiago, referindo-se aos desdobramentos das propostas aprovadas.

O Protagonismo Social e a Voz dos Usuários

Para Léia Cristina, coordenadora do Distrito Centro e do Conselho de Saúde da USF da Vila Carvalho, o evento representa um marco histórico de controle social por envolver ativamente os três segmentos do sistema: usuários, trabalhadores e gestores.

“Este é o nosso momento, onde temos voz e vez ativa para reivindicar e elencar as propostas que devem subir para o âmbito estadual. Como representante dos usuários, vejo isso como um marco histórico para lutar pelos direitos da população do Distrito Sanitário Centro e de toda Campo Grande. Tudo está sendo construído de forma voluntária, por pessoas que acreditam no SUS”, afirmou Léia.

Atenção Primária vs. Hospitalização: O Desafio de Evitar o Colapso

Além de celebrar a participação comunitária, a conferência acendeu um alerta técnico sobre os rumos dos investimentos na capital. O foco principal defendido pela coordenação do evento é o fortalecimento da Atenção Primária (os postos de saúde dos bairros) em detrimento da simples expansão da rede de alta complexidade (hospitais).

Segundo a organização, o planejamento das diretrizes para os Planos Estadual e Nacional de Saúde deve priorizar o cuidado preventivo.

“Quando propomos a construção de um hospital, é como se esperássemos a população adoecer para ter a estrutura pronta. Quando pensamos na promoção e no cuidado, precisamos fortalecer a atenção primária, que monitora as doenças crônicas e de fato cuida das pessoas no dia a dia”, explicou um dos coordenadores, reforçando que até o termo “postinho” deve ser superado para dar lugar ao respeito à complexidade das Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Desafios de Adesão: Descontentamento Afasta a Comunidade

Apesar da relevância do espaço democrático, Sebastião de Campos Jr., coordenador do Fórum de Entidades de Usuários do SUS, apontou uma baixa adesão da comunidade local nas urnas de debate. Para a organização, o esvaziamento das plenárias reflete o próprio desânimo da população diante de gargalos cotidianos.

Principais fatores de descontentamento:

Falta de insumos básicos e escassez de medicamentos;

Problemas de infraestrutura nas unidades;

Condições precárias de trabalho para os profissionais de saúde.

Nesse contexto, a conferência cumpre o papel legítimo de investigar se a crise atual decorre de falhas na gestão dos recursos existentes ou da real falta de financiamento e repasses orçamentários.

Por uma Visão Integral e Intersetorial da Saúde

Como estratégia para reconectar a comunidade ao sistema e melhorar os indicadores de saúde, as lideranças defendem que o cidadão precisa ser enxergado de forma ampla e multifacetada.

“As pessoas não adoecem apenas por questões biológicas, mas também por causas climáticas, estruturais do bairro, condições financeiras e de trabalho”, contextualizou Sebastião de Campos Jr. Para ele, o papel das unidades de saúde precisa ser rediscutido sob a ótica da intersetorialidade, integrando a saúde a outras políticas públicas para oferecer um cuidado verdadeiramente integral à população.

Valmirar Gomes

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