Banco Master: o que pareceu “oportunidade” e virou risco ao povo
O escândalo do Banco Master tem duas faces: o discurso de “banco alternativo para o povo” e a realidade de favorecimento político, dinheiro público em risco e promessas que quebraram junto com o banco. Para o nosso leitor, a história precisa ser contada em linguagem simples, mostrando como o que “parecia bom para o bolso” virou problema para o servidor, o aposentado e o caixa do Estado.
No Rio de Janeiro: dinheiro de servidores no banco
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, aprovou um decreto que abriu espaço para o Banco Master operar empréstimos consignados dos servidores estaduais. Em vez de oferecer várias opções, a prática favoreceu principalmente o Master, criando um ambiente de dependência do banco.
O golpe mais pesado veio quando o Rioprevidência, fundação que cuida dos aposentados do estado, aplicou quase 1 bilhão de reais em títulos do próprio Banco Master. Isso foi feito sem proteção do FGC, o fundo de garantia de depósitos. Em outras palavras, o dinheiro de 235 mil aposentados e pensionistas foi colocado em investimentos de alto risco de uma instituição fragilizada – tudo com visto de autoridades ligadas ao governo.
O presidente do Rioprevidência foi afastado logo após a repercussão, e o que se viu foi um claro favorecimento a um banco específico, em troca de contratos e credibilidade política, e não de proteção real ao servidor.
No Distrito Federal: o BRB como “salvador”
Em Brasília, o caso passa pelo Banco de Brasília (BRB), banco público do governo do DF. O BRB comprou, por cerca de R$ 12,2 bilhões, créditos antigos e de difícil cobrança do Banco Master, numa operação cheia de “camaradagem” e sem documentos claros, segundo a Polícia Federal.
O governador Ibaneis Rocha passou a manter encontro com o novo comando do BRB, em busca de descolar o banco de Brasília da manchete, mas a verdade é que o dinheiro de um banco público foi usado para tentar aliviar o caixa de um banco privado ameaçado de colapso. Em vez de cortar laços, o governo criou uma corda que ajudou o Master a sobreviver mais um tempo, mas que pode arrastar o BRB e o povo do DF junto com ele.
Na família Bolsonaro: cinza na prestação de contas
A história do Banco Master também se cruza com a família Bolsonaro. O governo federal, liderado por Jair Bolsonaro, foi responsável por facilitar regras e o ambiente de flexibilização bancária, o que permitiu o crescimento rápido e arriscado do Master, com pouca fiscalização do Banco Central.
Além disso, há operações ligando diretamente o grupo político ao banco. Por exemplo, aparece um filme sobre a vida de Jair Bolsonaro produzido com financiamento vindo do Banco Master, numa operação que envolve cerca de R$ 134 milhões, com parte já liberada. No meio disso, o então senador Flávio Bolsonaro aparece como negociador, reforçando o círculo: favorecimento regulatório, negócios privados e uso de um banco de porte médio como “caixa” de campanha e de imagem pessoal.
O “erro de sistema” virou contas do dia a dia: o Master foi à liquidação, dívidas voltaram, aposentados e servidores ficaram expostos, e o que se viu foi um filme de favorecimento, não de proteção.
O que isso significa para a comunidade?
Para o nosso leitor , o caso do Banco Master ensina algumas coisas claras:
Quando um banco surge com “crédito fácil” e logo está no gabinete do governador, pode ser oportunidade política, não oportunidade para o cidadão.
Dinheiro público colocado em banco de risco alto é o mesmo que jogar o futuro do aposentado na roleta.
Parcerias entre bancos e políticos, sem transparência, favorecem o banqueiro e o governante, não quem trabalha, economiza e espera um dia se aposentar em paz.
No fim, o que parecia “banco amigo do povo” revelou que, quando o dinheiro sai, quem paga o descuido são os mesmos servidores, aposentados e cidadãos comuns, enquanto a responsabilidade política segue mal contada, mal cobrada e, muitas vezes, impune.
Valmirar Gomes


