14 de junho de 2026

CPI da Saúde: Quem Tem Medo da Verdade?

Quando a população enfrenta filas intermináveis, falta de médicos, demora em exames, escassez de medicamentos e unidades de saúde sobrecarregadas, o mínimo que se espera dos representantes eleitos é disposição para investigar o que está acontecendo. Afinal, fiscalizar o Poder Executivo é uma das principais funções de uma Câmara Municipal.

Por isso, a rejeição da CPI da Saúde em Campo Grande causa indignação e levanta uma pergunta inevitável: se a situação da saúde está tão grave, por que impedir uma investigação mais profunda?

Uma CPI não é uma condenação antecipada de ninguém. É um instrumento legítimo de fiscalização, criado justamente para apurar fatos, ouvir testemunhas, analisar documentos e apresentar conclusões à sociedade. Quem não deve nada, em tese, não deveria temer uma investigação transparente.

Enquanto vereadores discutem questões políticas e estratégias eleitorais, milhares de cidadãos enfrentam a dura realidade de esperar por consultas, exames e procedimentos que muitas vezes podem significar a diferença entre a recuperação e o agravamento de uma doença. O sofrimento da população não pode ser tratado como detalhe secundário.

A decisão de barrar uma CPI pode até ser legal e regimental, mas isso não elimina o dever político de explicar à sociedade por que uma investigação foi considerada desnecessária diante de tantas reclamações e denúncias sobre o sistema de saúde.

A população tem o direito de saber quem votou a favor, quem votou contra e quais foram os argumentos apresentados. Transparência não é favor; é obrigação de quem exerce mandato público.

Mais do que uma disputa entre governo e oposição, a questão central é o interesse público. Quando a saúde está em crise, o compromisso dos representantes deve ser com a busca da verdade e de soluções concretas, e não com a proteção de interesses políticos.

Se a saúde vai bem, uma CPI comprovaria isso. Se a saúde vai mal, uma CPI poderia apontar responsabilidades e caminhos para corrigir os problemas. Em ambos os casos, quem ganharia seria a população.

Porque, no fim das contas, a pergunta continua ecoando pelas ruas, bairros e postos de saúde de Campo Grande: se não há nada a esconder, por que impedir a investigação?

Valmirar Gomes

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