14 de junho de 2026

Com Soraya no PSB e Marquinhos no PV, palanque de Lula e Fábio têm reforços substanciais em MS

Com a janela partidária, a Federação Brasil da Esperança, formada originalmente pelo PT, PCdoB e PV, ganhou em Mato Grosso do Sul um importante reforço com mais duas siglas trazendo consigo lideranças que potencializam o cacife político e eleitoral do bloco. Agora já engajado na campanha do presidente Lula pela reeleição, o PSB acolheu a senadora Soraya Thronicke, enquanto o PV recebeu o vereador e ex-prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad.
Não poderia ser melhor para as projeções do campo democrático o saldo das mudanças na “janela partidária”. Se no plano nacional os cinco partidos que apoiam Lula (PT, PCdoB, PV, PSB e PDT ) vitaminam a luta do presidente pela reeleição, no mosaico estadual as mesmas forças  somarão na capacidade de inserção eleitoral das candidaturas de Fábio Trad ao governo, de Vander Loubet e Soraya Thronick ao Senado e das chapas para a Câmara dos Deputados e Senado.
POLARIZAÇÃO – Diante de um embate que já se revela polarizado antes mesmo das convenções, o enfrentamento será vivido até outubro em conjunturas que não se resumem às lógicas estanques da política, entre elas a matemática pré-eleitoral. Embora úteis para diagnósticos momentâneos, as pesquisas de intenção de voto, especialmente as qualitativas, indicam tendências e possibilidades que em muitos casos surpreendem quadros aparenetmente consolidados.
Situações como esta não são raras. Os sulm atogrossenses sabem disso. Em 2022, o candidato do PSDB, Eduardo Riedel, entrou no jogo sucessório como carta marcada para ser o vencedor. Favorito em todas as pesquisas, tinha como trunfo decisivo o  bom governo de seu “padrinho” político, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), com elevadas taxas de aprovação. E quase foi surpreendido pelo deputado Capitão Contar, que levou a decisao ao segundo turno e deu um suadouro que não estava nos planos do tucanato.
Quatro anos depois o panorama pré-eleitoral se reconfigura. Riedel (PP) é candidato à reeleição e adentra na arena com boa vantagem nas intenções de voto, segundo as pesquisas. Entretanto, alguns detalhes precisam ser bem considerados. Entre as pesquisas feitas em 2025 e as mais recentes, o governador conserva a dianteira, só que ela está diminuindo a cada rodada, sobretudo após a inclusão de um terceiro pré-candidato nesta corrida, o deputado estadual João Henrique Catan (Novo).
TERCEIRO NOME – Com Catan no tabuleiro, afirma-se que sua candidatura tira votos de Riedel. Ambos são de direita, bolsonaristas, e disputam a primazia das opções na mesma bolha ideológica. Como a preferência por Riedel em relação a Catan é mais acentuada, o grande beneficiário neste contexto é o petista Fábio Trad. Assim, a vantagem que o governador levava antes, num tira-teima direto com Fábio, acaba caindo com a entrada de um terceiro candidato, cujos votos vão influir nos resultados da contagem totalizada do primeiro turno.
A flutuação de votos vai registrar ainda outro significativo impacto com a chegada de Soraya, Marquinhos e seus liderados ao palanque do campo democrático. Apesar de ter nascido política e eleitoralmente no berço do bolsonarismo, mesmo estreante em cargo eletivo ela entendeu e soube dimensionar o significado de um mandato parlamentar. E com isso abriu corajosamento o caminho para reafirmar-se autônoma, não aceitou ser refém de vontades e pautas confinadas numa bolha de pensamentos conceitualmente estreitos e antidemocráticos.
OUSADIA – A independência de Soraya irritou o presidente Jair Bolsonaro, que passou a hostilizá-la, fechando seus espaços e deixando-a numa espécie de “geladeira” política. A senadora, no entanto, deu a resposta e libertou-se daquela prisão para seguir defendendo livremente as suas ideias, até candidatar-se à Presidência da República. Mais que um gesto de ousadia, sua atitude evidenciou o compromisso com o país e a democracia, sendo peça essencial para impedir nas urnas mais quatro anos de bolsonarismo.
Para bater de frente com o líder da seita e renunciar ao comodismo de uma dependência vantajosa política e financeiramente, era preciso ter mais que coragem. Era preciso audácia. E isto nunca faltou a Soraya. Ela assumiu os riscos, sabendo que iria recomeçar a sua caminhada, só que desta vez por ambientes humanos e arejados. Assim, no segundo turno da sucessão presidencial, ela e a senadora Simone Tebet fizeram a diferença, foram determinantes para o triunfo da democracia sobre o atraso e a maré golpista.
Diferença também foi o que fez Marquinhos Trad depois de deixar a prefeitura levando os mais altos índices de popularidade para disputar o governo, perder feio a eleição marcado por violentos desgastes políticos e pessoais e retornar logo em seguida à cena política como vereador mais votado de Campo Grande. Ele não sucumbiu ao que aconteceu no meio do caminho. Resiliente e temperado pela amarga experiência, recompôs sua presença no primeiro plano do cenário representativo da sociedade e está a todo vapor na pré-campanha para deputado federal.
NOVOS NUTRIENTES – Com Soraya e Marquinhos o PSB e o PV agora dispõem de novos nutrientes para a sua reestruturação orgânica e política no Estado. Além de ampliar a representatividade estadual e federal, as duas agremiações vão assumir posições destacadas nas campanhas de Lula e Fábio. Para o  presidente regional do PT e pré-candidato a senador, o deputado federal Vander Loubet, o PSB e o PV ocupam agora o degrau que merecem, de protagonismo na cena política sulmatogrossense.
“A senadora Soraya é uma das parlamentares mais respeitadas em Brasília, tem um acúmulo de iniciativas que a colocam entre as principais lideranças do Brasil democrático, do Brasil soberano, comprometido com os direitos humanos e a autodeterminação dos povos”, define Loubet. “O vereador Marquinhos tem trajetória vitoriosa, assinalada por uma ampla e forte identificação popular”, afirma. “Com eles, o campo democrático se beneficia não só na adição numérica de votos, mas também no conteúdo conceitual e político”, complementa.
A entusiasmada receptividade das maiores lideranças do PSB à filiação de Soraya e a reverberação deste que foi um dos fatos de maior relevância na semana derradeira da “janela partidária”, servem de medida para qualquer projeção política. O vice-presidente da República, Geraldo Alckmim, o presidente nacional do partido e ex-prefeito de Recife, João Campos – considerado o melhor gestor brasileiro, vai disputar o governo de Pernambuco -, e a deputada federal Tabata Amaral ressaltam o ganho das lutas pela democracia com Soraya no PSB.

Edson Moraes

Fábio, Vander e Soraya com Lula: chapa majoritária do campo democrático está completa

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