14 de junho de 2026

No Grande Tiradentes, um cartão postal que é preciso preservar

Lagoa Itatiaia

A Lagoa Itatiaia é um dos recantos mais aprazíveis de Campo Grande. No Grande Tiradentes, onde estão localizados vários bairros, trata-se de um manancial de elevada importância ambiental e urbana, cuja beleza atrai olhares de campograndenses e de turistas que visitam a cidade em busca de atrações desse gênero, unindo passeio, captura de imagens e lazer.
Entretanto, nem tudo é beleza neste local. Um de seus principais desfios é a ameaça existente em algumas práticas destrutivas, entre as quais a pesca e o descarte irregular de materiais poluidores. A área no entorno da lagoa já sofreu sérios arranhões, um dos quais a redução do nível da água e o assoreamento, situações que já foram denunciadas às autoridades.
PESCARIAS – A questão da pesca deixa de ser uma condição de tolerância social por causa de famílias de baixa renda que antigamente capturavam peixes para garantir a alimentação em casa. Hoje, com o assoreamento causado pelos danos à mata ciliar e a instabilidade das chuvas, é nítido que caiu o estoque de peixes. Algumas espécies aquáticas já desapareceram e as que restam continuam ameaçadas.
Embora os órgãos fiscalizadores façam vista grossa, omissão da qual se aproveitam os “pescadores”, a prática é proibida há 11 anos, de acordo com a Lei 5.506/2014, de autoria do vereador Eduardo Romero. A proibição é estendida à pesca, caça e acampamento em lagoas públicas de Campo Grande, como a Lagoa Itatiaia. Há pessoas que tratam o local como se estivessem num pesqueiro convencional, levando os famíliares e amigos, armando guarda-sol e usando traias de pesca profissional.
ESTUDOS – Ali existe um posto da Guarda Metropolitana, que cumpre funções de patrulhamento para prevenir ocorrências criminais, monitorar todas as atividades na região, mas sem fazer o serviço de fiscalização e orientação relativo à proibição da pesca. Em 2022, um estudo assinado por Gilberto Gonçalves Facco, Alex Silva Oliveira, Rosemary Matias e Silvia Cristina Heredia Vieira, da Uniderp Agrárias, trouxe informações que ajudam a compreender bem o contexto físico e ambiental da lagoa.
Salientam os acadêmicos que desde a Lei Complementar nº 5/95, de 22 de novembro de 1995, o Parque Municipal da Lagoa Itatiaia é um espaço urbano de área verde, com funções de ordens ecológicas, estéticas e recreativas, no mesmo nível dos bosques, jardins e praças. A Lagoa não é uma nascente, e sim um corpo d´água sustentado pelas chuvas. Com a sua ocupação feita a partir dos anos 1950 sem qualquer planejamento, o poder público realizou serviços de revitalização entre 2001 e 2003. S
Chegou a ser conhecida como “Lagoa do Cará”, pela abundância da espécie. Com extensão de 09 hectares, abriga 221 espécies vegetais diferentes (65 nativas), entre as quais plantas terrestres, semiaquáticas e aquáticas; e a fauna de peixes, insetos, moluscos, répteis e pássaros. A população que curte a lagoa e faz dela um ponto de referência para suas atividades de lazer, como a captação de imagens, passeios e pequenos negócios, espera que a prefeitura conclua as obras de requalificação do local.
Iniciadas em setembro de 2022 e avaliadas em R$ 1,2 milhão, as intervenções de modernização, ampliação e restauração espacial ainda se arrastam. A previsão era finalizar a obra em oito meses, a partir da ordem de execução. O projeto prevê três decks, uma passarela, uma fonte de água, pista de caminhada com 1.360 metros, banheiros, um pequeno palco para apresentações culturais e playground para as crianças.

Edson Moraes

Compartilhe
Notícias Relacionadas

Comments are closed

    Sites Profissionais