14 de junho de 2026

Congresso Nacional ressuscita o PL da Devastação

O que se viu no Congresso Nacional nos últimos dias ultrapassa o mero descompasso político — é uma demonstração clara de desorientação institucional. De um lado, um presidente do Congresso que parece mais perdido que barata tonta, correndo atrás de agendas que ele mesmo não compreende totalmente. De outro, a senadora Tereza Cristina PP/MS, a “menina veneno” da bancada ruralista, cuja atuação segue o roteiro previsível: defender os interesses dos latifundiários do agronegócio — grupo do qual ela própria é parte ativa e beneficiária.

A grande incógnita continua sendo: como alguém com práticas tão alinhadas ao atraso ambiental consegue arrastar consigo tantos votos? Talvez porque sua política é feita sob o verniz de “progresso econômico”, mesmo quando esse progresso significa devastação.

A derrubada de 56 dos 63 vetos do presidente Lula à Lei Geral do Licenciamento foi uma manobra que escancarou prioridades: o lucro imediato de poucos acima da vida, da segurança e do futuro de milhões. A decisão compromete seriamente a proteção de rios e florestas, fragiliza ainda mais biomas já exaustos e praticamente inviabiliza as metas climáticas assumidas pelo Brasil diante do mundo, especialmente na COP30.

Estamos falando de permitir que obras potencialmente destrutivas avancem com menos avaliação técnica, menos controle e menos responsabilidade. Na prática, abre-se uma porta larga para o aumento do desmatamento, para a contaminação de bacias hidrográficas e para a aceleração dos temidos pontos de não retorno, que selariam o colapso de ecossistemas inteiros — Amazônia, Cerrado, Pantanal, Caatinga, nada fica de fora.

E ainda têm coragem de chamar isso de “destravar o desenvolvimento do país”, como afirmou Alcolumbre. Mas a pergunta inevitável é: de qual país ele está falando? Certamente não é do país onde vivem as populações ribeirinhas, indígenas, quilombolas, os trabalhadores urbanos que sofrem com enchentes e ondas de calor, ou mesmo os pequenos produtores que dependem de solo e água saudáveis.

O “país” do qual falam é um país paralelo, restrito aos donos das grandes propriedades, às empresas que lucram com a exploração agressiva do território e a um bloco político que trata a natureza como obstáculo — e não como patrimônio coletivo.

Enquanto o Congresso brinca de flexibilizar o futuro, o Brasil real paga a conta.

Valmirar Gomes

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