14 de junho de 2026

UFGD: com Lula, vencedor da disputa pela reitoria será nomeado

(No voto e na investidura, a democracia é a maior ganhadora na escolha do novo reitor da insttuição)

Em 2019, a consulta prévia à comunidade acadêmica para aferir a posição de alunos, professores e técnicos sobre as candidaturas à reitoria da Universidade Federal de Grande Dourados (UFGD) constatou que a preferência recaía no professor Etienne Biasotto. Ele venceu no voto seus concorrentes. Ganhou, mas não levou. O motivo: a filiação ao PT. Este foi o detalhe que fez o presidente na época, Jair Bolsonaro, abusar do poder e selecionar nomes de seu agrado para a reitoria.
Naquele período, os três mais votados formavam uma lista tríplice para o presidente da República nomear um deles. Para impor sua vontade e não nomear o vencedor da disputa, Bolsonaro simplesmente ignorou o resultado da eleição, a Constituição e a democracia. Primeiro, nomeou como interventora a professora Mirlene Damázio. Depois a trocou por um professor, Lino Sanabria, que sequer havia participado da eleição. A ciranda só terminou com a nomeação do reitor Jonas Dari Goettert.
DIFERENÇAS – Três chapas concorreram à reitoria da UFGD. Biasotto e Marisa de Farias lideraram chapas identificadas por ideias do chamado campo democrático, ao passo que a professora bolsonarista Gicelma Chacarosqui puxou uma campanha mais à direita. Com o apoio do atual reitor, Biasoto alcançou 56,30% dos votos no sistema paritário. A sua companheira de chapa e vice-reitora eleita é a professora Daniele Vilela.
A segunda colocada. com 29,22%, foi Marisa, esposa do ex-reitor Damião Duque Farias. O casal era do mesmo grupo de Biasoto, porém Farias rompeu e lançou a mulher. A bolsonarista Gicelma foi a terceira mais votada, com 11,9%. Juntos, os candidatos progressistas tiveram 4603 votos (3.057 de Biasoto e 1.546 de Marisa) contra 516 de Gicelma.
Ao contrário de Bolsonaro (PL), que não nomeou Biasotto por ser petista, o presidente Lula (PT) não se detém nestes estreito corredor da seletividade ideológica. Em seus dois mandatos anteriores, ele aceitou o resultado das urnas e nomeou os vencedores das eleições. Esta é uma garantia que independe de mudança nos critérios de escolha para ser mantida e sinaliza a investidura de Biasoto como sucessor de Goettert.
Doutor em Engenharia Elétrica (USP) e pró-reitor de Graduação, Biasotto está na UFGD desde 2012. Ele já foi pró-reitor de Avaliação e Planejamento. É filho do professor Wilson Biasotto, já falecido, um dos grandes lutadores pela criação da universidade. Danielle Marques Vilela, a vice-reitora eleita, é engenheira agrônoma e professora da UFGD há 15 anos. Doutora em Ciência dos Alimentos, é a diretora da Faculdade de Ciências Biológicas e Ambientais.

Edson Moraes


Etienne Biasotto e Danielle Vilela: legitimação democrática nas urnas – Instagram

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